Embora figure entre as mulheres mais ricas do Brasil, Anne Marie Werninghaus faz questão de esclarecer que não se identifica com o título de “bilionária”. Neta de um dos fundadores da WEG, empresa com sede em Jaraguá do Sul e presença global no setor de motores elétricos, ela teve seu nome destacado pela Forbes em 2024, com patrimônio estimado em US$ 1,2 bilhão.
Em entrevista para a Revista Claudia, Anne prefere direcionar o foco para a própria trajetória. “O termo ‘bilionária’ me incomoda porque não traduz a realidade. Sou herdeira, e esse título não foi fruto do meu trabalho. O que construí por mérito próprio é a minha caminhada como empresária, e é nisso que gosto de focar”, afirma.
Maior acionista individual da WEG e conselheira na holding familiar, formada exclusivamente por mulheres, ela destaca a importância do olhar feminino nas decisões estratégicas. “É uma experiência enriquecedora, que me conecta com decisões importantes e me lembra da força que temos quando unimos diferentes visões em torno de um objetivo comum”, diz.
Natural de Joinville (SC), Anne passou parte da infância entre Bélgica e Alemanha, experiência que, segundo ela, ajudou a desenvolver resiliência e facilidade para recomeçar. “Minha vida foi marcada por mudanças constantes de países, cidades e escolas. Aprendi a não ter apego e a enxergar cada nova fase como oportunidade.”
Em 2005, enquanto cursava design de moda em Florianópolis, conheceu o então jogador de vôlei João Paulo Tavares. No ano seguinte, com o nascimento do primeiro filho, Joaquim, decidiu trancar a faculdade para acompanhar o marido nas cidades onde ele atuava. Vieram depois Theo e Thomas, consolidando a escolha de se dedicar intensamente à maternidade durante os primeiros anos dos filhos.
Ela relembra o período no Japão, quando o marido atuou pelo Panasonic, como uma fase desafiadora e enriquecedora. Também destaca com orgulho o título mundial conquistado por ele em 2010, sob o comando do técnico Bernardinho, momento marcante para a família.
Mesmo priorizando a família por um período, Anne nunca abriu mão dos próprios sonhos. Retomou os estudos, concluiu a graduação e, mais tarde, assumiu o comando de duas lojas em Santa Catarina. Para ela, os negócios representam mais do que atividade comercial: são extensão de sua identidade e da capacidade de transformar desafios em oportunidades.
Consciente da posição que ocupa na sociedade brasileira, Anne também reflete sobre desigualdade. “Não dá para falar sobre isso sem reconhecer que vivemos em um país profundamente desigual. Ter privilégios traz responsabilidade — seja gerando empregos, movimentando a economia local ou apoiando causas que façam sentido para mim e para a comunidade.”
Entre herança, recomeços e escolhas pessoais, Anne Werninghaus prefere ser reconhecida não pelo patrimônio estimado, mas pela construção de uma trajetória própria — pautada pelo equilíbrio entre família, negócios e propósito.
Com informações da revista Claudia.