A escalada de medidas restritivas na política migratória dos Estados Unidos ganhou um novo capítulo. Depois de elevar taxas, endurecer entrevistas e exigir que estudantes tornem públicos seus perfis em redes sociais, o governo americano passou a orientar suas representações diplomáticas a analisar, com mais rigor, o estado de saúde dos solicitantes de vistos de imigração - incluindo casos de obesidade - e até a existência de dependentes com necessidades especiais. O novo conjunto de instruções foi revelado pelo site KFF Health News. As diretrizes foram enviadas às embaixadas no início do mês pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo o texto, certas condições médicas podem implicar custos extremamente elevados ao sistema de saúde dos EUA. O próprio memorando afirma que “certas condições médicas -incluindo, entre outras, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, câncer, diabetes, doenças metabólicas, doenças neurológicas e problemas de saúde mental- podem exigir cuidados no valor de centenas de milhares de dólares”. Com isso, oficiais consulares foram instruídos a levar em conta problemas de saúde, entre eles a obesidade, ao decidir sobre vistos de residência permanente. O governo argumenta que pessoas obesas podem “exigir cuidados caros e prolongados”. Também devem ser avaliadas situações em que o solicitante tenha dependentes com “deficiências, condições médicas crônicas ou outras necessidades especiais e requer cuidados”, o que, segundo o texto, poderia comprometer sua capacidade de trabalhar. As novas regras se aplicam apenas a pedidos de imigração. Turistas e viajantes a negócios - titulares de vistos B1/B2 - não serão afetados.