Extinto em 2008 após ser incorporado ao Banco do Brasil, o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) voltou ao noticiário econômico ao ter antigas ações citadas em investigações que envolvem fundos ligados à gestora Reag Trust e ao Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
As apurações indicam que documentos físicos conhecidos como “cártulas” — que comprovavam a posse de ações do antigo banco — teriam sido adquiridos por fundos investigados e supervalorizados para inflar artificialmente o patrimônio declarado. Esses papéis não possuem liquidez reconhecida nem valor societário oficial.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga desde 2022 possíveis irregularidades em operações realizadas por fundos da Reag envolvendo títulos do Besc. O tema também aparece em decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de investigados no caso do Banco Master.
Segundo as investigações, os recursos circulavam entre diversos fundos para dificultar o rastreamento, utilizando as cártulas como lastro patrimonial. O esquema ganhou maior visibilidade após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em janeiro.
Especialistas afirmam que as antigas ações do Besc perderam validade após a incorporação do banco e não podem ser usadas como garantia financeira. O Tesouro Nacional também alerta que esses documentos têm apenas valor histórico e são frequentemente usados em tentativas de fraude.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master não participou da gestão ou administração dos fundos citados e nega vínculo com negociações envolvendo cártulas do Besc. As investigações seguem em andamento e sob sigilo.