Um vírus que nos faz sofrer e pensar - Coluna Atualidades com Jonathan Mandalho

Por: Jonathan Mandalho
Foto: DIVULGAÇÃO
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Figura 1 — O novo coronavírus desafia toda a humanidade.

De todas as gerações que vivem e habitam atualmente neste planeta, nenhuma até hoje testemunhou uma crise de tamanha proporção como a pandemia do também chamado de Covid-19, que já matou mais três mil pessoas no mundo.

Figura 2 — A gripe espanhola foi a maior catástrofe de saúde pública no século XX.

Pesquisando sobre os flagelos que afetaram a humanidade nos últimos anos, somente a gripe espanhola veio com tamanha intensidade, na época da Primeira Guerra Mundial (1915-1918), vitimando cerca de 5% da população terrena, entre 50 e 100 milhões de pessoas. É claro que naquele período existiam muitas limitações nos aspectos sanitários — falta de conhecimento e desenvolvimento científico — para impedir a contaminação das pessoas, que acabou resultando numa enorme devastação de nossa civilização. 

O novo coronavírus, em particular, ainda não tem sua origem determinada. Sendo assim, várias hipóteses surgiram recentemente, tentando atribuir às causas de sua evolução tão rápida. Epidemia alienígena, vírus criado em laboratório, teoria da conspiração... Sobre isso, de tudo se encontra na rede mundial de computadores, com argumentos nem sempre tão sólidos para poder te convencer de uma ou outra razão.

Figura 3 — Hábitos alimentares incomuns de culturas asiáticas podem ter despertado o vírus Covid-19.

A hipótese que parece ser mais lógica até o momento é aquela onde o vírus, inoculado nos morcegos da região de Hubei (foco inicial da pandemia), sofreu uma mutação quando ingerido por seres humanos. Esse hábito, incomum à maioria das pessoas, é rotineiro naquele país e parece ser um dos motivos mais óbvios para a eclosão da doença em nível planetário.

Independentemente dos fatos que nos trouxeram a esta condição inédita de nossas existências, onde somos privados de nossas liberdades e dos compromissos no trabalho, é oportuna a reflexão de alguns pontos, e esta minha percepção dividirei com vocês nas próximas linhas. 

Figura 4 - A escravidão acabou?

Tempos atrás, estava lendo um livro que trazia um resumo dos principais filósofos da humanidade; e um deles me chamou bastante a atenção, tanto que fui a fundo em suas análises. Bertrand Russel, filósofo britânico, em sua obra “Elogio ao ócio”, traz algumas verdades que confrontam diretamente com nossas rotinas diárias, uma delas é a seguinte: “A moral do trabalho é a moral de escravos, e o mundo moderno não precisa de escravidão”.

Espera lá, escravidão? Sim, escravidão! Ou não percebestes ainda que nossas vidas são regidas por um sistema que nos obriga a trabalhar incessantemente, desde quando nascemos, com o intuito de produzir e gerar capital? Por que precisamos trabalhar 8 horas ou mais por dia? Quem definiu essa lei de comportamento? Esse pensamento de Russel (que trouxe essa questão há décadas), mesmo com a revolução tecnológica atual substituindo o trabalho humano pelas máquinas, é contemporâneo e merece ser considerado. 

Em seus trabalhos, a hipótese de uma jornada de trabalho de 4 horas diárias seria mais do que suficiente para a manutenção da sociedade. Afinal, produzimos tantas coisas, e muitas delas não nos são necessárias. O restante do tempo seria dedicado à família, aos trabalhos voluntários, em meio às comunidades, ao lazer, ao esporte... Imagina como isso traria uma satisfação enorme ao indivíduo. O trabalho dá razão às nossas existências, mas o que nos traz a verdadeira felicidade: a jornada semanal de segunda a sábado, ou as horas com a família e de ociosidade?

Figura 5 — Crise econômica sucederá à pandemia com forte intensidade.

Agora que as economias estão sucumbindo perante a inatividade do comércio e se prevê uma grande crise mundial, este estado calamitoso é digno de ser avaliado para — quem sabe e porque não — recomeçarmos nossas vidas de uma forma mais saudável e prazerosa!

Bom, sei que a questão, além de polêmica, balança com tudo em nossos conceitos. Sair do modo automático e refletir sobre as questões essenciais de nossas existências pode fazer diferença hoje e em nosso futuro, pensa nisso.

Figura 6 — Lavar as mãos se tornou o hábito mais eficaz no combate à transmissão do Covid-19.

O Covid-19, por sua vez, permanece por aí. Enquanto sua névoa pairar sob as nossas cabeças, continuarei a trazer reflexões para todos nós. Cuide-te! Lava as mãos sempre que puderes, a toda hora, pois esta atitude, segundo pesquisadores, é a mais eficaz para diminuir o risco de contágio.

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