Rede Nossa: Como proceder com a amamentação em tempos de pandemia?

Por: Revista Nossa Foto: DIVULGAÇÃO
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Em tempos de pandemia, o Agosto Dourado, mês que simboliza o incentivo à amamentação e tem a cor dourada relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno, traz consigo algumas dúvidas. De acordo com a médica obstetra Estefanie Rafaella Sanches Bertoldi Furiatti, não há estudos que comprovem a transmissão do Coronavírus pelo leite materno. “Mesmo com confirmação de covid-19 é recomendada a amamentação, seguindo alguns cuidados de higienização”, explica.

A literatura aponta pouquíssimas amostras de leite materno com Coronavírus, mas não dá para afirmar se são casos de contaminação ou transmissão. Portanto, não há evidências de que o vírus seja transmitido por meio da amamentação. Outro ponto positivo para a amamentação é de que recém-nascidos e bebês têm baixo risco de infecção por covid-19. Entre os poucos casos confirmados em crianças pequenas, a maior experimentou apenas sintomas leves ou era assintomática.

A amamentação e o contato da pele de mãe e bebê reduzem significativamente o risco de morte em recém-nascidos e lactentes e proporcionam vantagens imediatas ao longo da vida. A amamentação também reduz o risco de câncer de mama ou de ovário, por isso deve ser mantida.

Os inúmeros benefícios da amamentação superam substancialmente os riscos potenciais de transmissão e doença associados ao coronavírus. Os riscos associados à administração de leite em pó aumentam sempre em que as condições da casa ou da comunidade sejam comprometidas, por exemplo, com acesso reduzido a serviços de saúde e à água potável. Outro dificultador é o acesso ao suprimento de leite em pó adequado, nem sempre garantido.

A recomendação é de que as mães devem ser orientadas a amamentar. Outro padrão que deve ser seguido é o contato da pele das mães com o bebê logo após o nascimento, proporcionando benefícios importantes como regulação térmica, vínculo e produção de leite. “Todos estes benefícios superam os riscos de transmissão da doença”, pondera a médica. Mãe e bebê não devem ser isolados e as recomendações de higienização para as mulheres que amamentam são as seguintes: 

*Antes de tocar o bebê, lavar as mãos por, pelo menos 20 segundos, com água e sabão ou utilizar o álcool em gel 70%;

*Desinfetar com álcool em gel as superfícies mais utilizadas;

* Utilização de máscara com cobertura completa do nariz e da boca da mãe, durante as mamadas;

* Evitar falar e tossir durante as mamadas. Se isso ocorrer, descartar o lenço e novamente higienizar as mãos durante 20 segundos com água e sabão ou álcool em gel 70%; 

* Substituir as máscaras assim que elas ficarem úmidas, a cada mamada, ou todas as vezes que a mãe tossir ou espirrar. As máscaras descartáveis devem ser substituídas imediatamente, não podendo ser reutilizadas; as de tecido podem ser lavadas;

*Ao tirar a máscara pegar pelas alças, evitando o contato com a parte da frente. Isso evita a contaminação durante a manipulação. 

*Sempre que tossir ou espirrar, descartar o lenço e novamente higienizar as mãos;

* Mães com suspeita ou confirmação de covid-19 que tossem ou espirram sobre as mamas devem lavá-las com água e sabão por, pelo menos, 20 segundos, antes da mamada. Neste caso, não se deve utilizar álcool. A lavagem das mamas não é necessária antes de cada mamada.

* Mesmo em caso de condições clínicas e físicas que exijam afastamento da mãe para tratamento, o incentivo à lactação deverá ocorrer, desde que ela tenha condições. A mãe pode não estar amamentando o bebê, mas recomenda-se a extração do leite materno com todos os cuidados de higienização, que será fornecido ao bebê. Não há evidências de transmissão da doença pelo leite.

* A extração de leite manualmente ou com bomba é importante para a manutenção da lactação, continuando com a amamentação da criança quando o quadro clínico desfavorável da mãe passar;

*Em caso de opção pela não amamentação e também de não oferecer o próprio leite, é importante a orientação de um pediatra para a recomendação de um leite de fórmula mais adequada para a criança, conforme a idade. (Comissão Nacional de Gestação de Alto Risco da Confederação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Cebrasgo) e Organização Mundial da Saúde).

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