Rede Nossa: A capa da Revista Nossa do mês estampa a gestora e empresária Deise Silvano

Por: Charles Siemeintcoski Foto: Jéssica Kopsch
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 “Todos temos as mesmas 24 horas”


Balzaquiana (33) e apaixonada pela vida, decidida ao falar, uma mulher que demonstra empoderamento somente com sua presença. Essa é a empresária brusquense Deise Silvano, que administra seu tempo como as engrenagens de sua própria empresa, e vê na criação de uma rotina diária a melhor estratégia para a consolidação e conciliação entre carreira e família para a mulher deste século

 

“Dizer que é fácil administrar o tempo, não é. Mas se tentarmos administrar as 24 horas que todos nós temos, é possível fazer atividade física, estudar, ser mãe, esposa e manter uma carreia sólida. O segredo é gostar de tudo que se faz. Se nós fizermos com amor, com paixão, fica tudo mais fácil”. 

Primeiras palavras da nossa entrevistada da mês ao falar sobre como deve  se comportar uma mulher pertencente aos tempos atuais. Deise fez questão de deixar a cidade de Brusque (SC), onde reside, para vir a Jaraguá do Sul e conversar com a equipe da Revista Nossa sobre carreira, família e contar um pouco de sua experiência de vida que, ressalte-se, pode ser a inspiração para muitas mulheres que não sabem como conciliar vida familiar e carreira. Gestora Comercial e Industrial do setor têxtil, Deise trabalha incansavelmente 12 horas por dia, no mínimo. Dedica-se à família, à leitura diária e à pratica de exercícios físicos, “todos os dias”, como costuma lembrar. 

Formada em Administração com ênfase em Negócios e Marketing pela UNIASSELVI –Centro Universitário Leonardo da Vinci, com grande know-how na área têxtil, pós em Gestão de Pessoas e terminando a segunda pós em Controladoria, Deise desenvolve uma narrativa própria daquelas mulheres de vanguarda. Nessa entrevista, ela conta como foi ter viajado a 12 países a trabalho e conseguir êxito sem sequer falar um segundo idioma.  

A RN fez uma série de perguntas e abordou vários temas à empresária, principalmente sobre sua carreira como escritora (sim, caros leitores, Deise Silvano consegue encontrar tempo para escrever). Confira este exemplo de personalidade feminina: 

Revista Nossa - Mas e se você fosse forçada a escolher entre família ou carreira, o que você escolheria? 

Deise Silvano - Não há motivo para escolher. Para mim, são coisas distintas e que devem ser conciliadas. Sempre é possível conciliar, pois todos têm as mesmas 24 horas e como administramos o tempo é o que nos difere. Vamos dizer que esse é um dilema do mundo atual, encontrar o equilíbrio nestes dois pontos muitas vezes parece ser impossível, e isso causa confusão e dúvidas que acabam sendo de alguma maneira obstáculo para visar uma carreira. Mas defendo muito que sim, é possível, não precisamos deixar de lado nossos propósitos profissionais e o desejo de ter uma carreira, de fazer apostas, apostas que requerem foco e energia, temos que buscar em nossa carreira o que queremos com todo o coração e trazer junto nossa família que sempre será a base, precisamos ter sempre alinhados nosso propósito de vida.

RN – Como você começou seu interesse pela área têxtil, Deise?

Tudo começou quando, aos 11 anos, resolvi dar os primeiros passos na costura, quando ainda morava com meus pais, em Poço Fundo, um bairro de Brusque (SC). Foi aí que tudo teve origem. Foi neste período que me apaixonei verdadeiramente pela área têxtil e iniciou minha carreira.

RN - Como é sua rotina de verdade, Deise?

Meu dia começa às 5 da manhã, logo cedo gosto de fazer alguma atividade física, sinto que meu dia flui melhor assim, depois meu dia começa na empresa onde passo grande parte do dia, me dedico também à família (filho, marido) gosto de fazer algum tipo de leitura diária e também estou concluindo uma pós-graduação em Controladoria.

RN – Você possui muitas experiências quando o assunto é viajar a trabalho. Poderia citar uma que te marcou profundamente?

Uma vez fui à Turquia sem falar absolutamente nada em inglês, bem como as pessoas que, da mesma maneira, não possuíam domínio do idioma universal. Mesmo assim, consegui negociar oito máquinas de tingimento nas quais hoje são referências no Brasil. Depois disso, muitos colegas de profissão foram à Turquia e buscaram negócios inspirados na minha iniciativa. Foi quando entendi que quem quer fazer acontecer, faz! São momentos como esse de aprendizado e resultado que nos marcam.

RN – A mulher do século 21 é aquela que administra muito o seu tempo?

Exatamente, de tudo que foi falado se resume dessa forma (risos). Ela acaba sendo cobrada pela parte mulher, pela parte mãe, tive muito preconceito quando fui mãe, foi me cobrado arduamente para não perder o ritmo e o foco. Tive ao longo da carreira cobranças de todo o lugar da sociedade. Mas sempre administrei da melhor maneira possível. O Joaquim, meu filho de seis anos, por exemplo, é uma criança feliz, saudável, e sou feliz na carreira que eu tenho e, principalmente, como fato de ser mãe. Ser mãe é a maior felicidade da minha vida. 

RN – Em 2005, você estava à procura do emprego ideal. 

Sim, (risos), quem não busca o emprego ideal...

RN – Mas o que significa este emprego ideal diante de um mercado de trabalho altamente competitivo? 

Emprego ideal é buscar um lugar onde você seja realmente apaixonado pelo que faz. Um clima bom de trabalho. Mesmo sabendo que nosso local de trabalho não é o lugar onde se concentra nossa família, por exemplo. E nem sempre vai ser o primeiro emprego onde encontraremos o emprego ideal. A ideia do emprego ideal é a constante busca desse emprego ideal. 

RN – A frase de sua autoria “Apaixone-se pelo processo, resultados serão naturais” também serve para o aprendizado da busca do emprego ideal”?

Sem dúvida. 

RN - Deise, sobra tempo pra cuidar de você com tantas tarefas, já que é uma pessoa vaidosa? 

Como já mencionei acima todos têm as mesmas 24 horas, sempre é hora de se cuidar, as pessoas têm o hábito de dizer ‘sem tempo para isso ou aquilo ...quantas vezes já ouvimos isso?’ Cuidar da gente nos proporciona um tempo de qualidade, nosso maior patrimônio é nosso corpo, nossa mente e nossa alma.  Eu não abro mão disso.

RN – Quantos anos de experiência no ramo têxtil

Com 18 anos de experiência no Ramo Têxtil, sou apaixonada por gestão operacional/produção e comercial. Sempre atuando em grandes e conceituadas empresas do setor, me especializei em todo processo da cadeia têxtil: fiação, tecelagem e tinturaria. Todos os meus projetos foram com dedicação total para a entrega de resultados de alta performance no prazo e no escopo, na maioria das vezes em um ambiente acelerado!

 

RN – Conforme citado acima, foi neste período que você buscou o emprego ideal?

Exatamente. Em 2005, vislumbrei a grande oportunidade da minha vida. Em busca do emprego ideal, consegui um estágio remunerado em uma empresa têxtil.

RN - O que aconteceu depois?

Em 2007, acontecem grandes mudanças no mercado têxtil. A empresa que trabalho agrega um novo conceito ao seu nome, passa por uma transição societária e sou convidada a fazer parte de seu quadro de funcionários, agora não mais como estagiária. Conheço também um dos melhores professores que a vida me deu: Armando Hass de Souza. Professor por me ensinar que uma mulher pode ser o que ela quiser, me ensinou que nossos melhores dias sempre estão por vir. E o mais bacana de tudo isso: nós podemos! Aliás, podemos ser exatamente o que quisermos.

Eu vinha em velocidade total, querendo saber de tudo, querendo dar o meu melhor. O que eu queria mesmo era me preparar para ser destaque. Eu não tinha horário para trabalhar (ou, melhor dizendo, para parar de trabalhar!). Não porque me pediam, porque eu sentia a necessidade de mais dedicação, mais tempo, afinal, eu queria fazer da melhor maneira. Foi nessa etapa que construí minha base. 

RN – Foi muita dedicação, então?

Sim, a minha dedicação era tanta, que eu me empenhava como se cada dia fosse o último. A sorte caminhava comigo, na medida em que meu esforço se superava a cada etapa de uma atividade. Em janeiro de 2010, já sendo Supervisora Comercial, entendi que precisava visitar meus melhores clientes, aqueles realmente potenciais, e necessitava muito mais do que apenas vender. Era preciso criar fortes parcerias com esses clientes.

Viajei ao Paraná e conheci o Gestor, um grande inspirador e arrojado empreendedor Fabio Sanchez, meu maior desafio. Com Fabio aprendi que você não é o que diz ser ou o que dizem de você, você é o resultado que apresenta. Trocamos cartões e eu não via a hora de chegar à empresa e adicioná-lo em meus contatos. 

 

RS - Conte-nos se você se sentiu desafiada a dar o melhor de si em uma nova experiência.

Sim, ao mesmo tempo em que me sentia realizada na empresa atual, percebi que minha velocidade em progredir estava desacelerando, e a vontade de um novo desafio tornou-se meu pensamento diário. De repente, uma ligação virou um desafio. E agora? Antes de mais nada, pessoas fazem e sempre irão fazer toda diferença. Podia aqui mencionar muitas bases de confiança na qual formei o melhor time, pois você não constrói uma empresa, você constrói um time e é esse time que constrói a sua empresa. E foi assim que construímos uma importadora uma fiaçao, uma tecelagem, uma tinturaria.

RN – Como você estava, então, em 2018?

Em 2018, eu já estava coordenando 400 pessoas, calculando produção, desenvolvendo malha e projetos de toda cadeia têxtil. Além disso, estudando, negociando energia no mercado livre, planejando redução de custos e, tudo isso ao mesmo tempo em que você está coordenando também obras de uma nova fiação, projetos com milhões em  investimentos na qual você não pode errar.

RN – Como foi pra você, Deise, o desafio de coordenar 400 pessoas? Você chegou a pensar que poderia fracassar ou isso nunca passou pela sua cabeça? 

Realmente quando me dei conta do desafio que me era proposto veio aquele friozinho na barriga, mais os desafios estão em nossas vidas todos os dias em maior ou menor escala para serem superados e se pararmos para pensar, são os desafios que movem o mundo que nos fazem evoluir. Eu sou uma entusiasta animada frente a eles. Os dias passam, as obras se concluem, a empresa está redonda, e eu ainda sinto a necessidade de mais, de evoluir, de novos desafios.

RN - Apuramos que recentemente você deu mais um grande passo na sua carreira. Poderia dividir isso conosco? Mas poderia falar desse período final nesta etapa onde você passou uma década nesta empresa?

Sem dúvida, porque mudar faz parte do processo de evolução. Diria até que mudar é uma necessidade daqueles que sempre buscam evoluir. Comigo não foi diferente. Após uma década à frente de uma empresa têxtil, sentia-me madura e realizada profissionalmente. Após entregar uma das melhores empresas para se trabalhar no Estado de Santa Catarina, fazendo dela uma referência no ramo, vi que era hora de ir em busca de algo a mais. Com todo apoio e respaldo da diretoria, criamos uma nova marca do zero, construímos mais um parque fabril moderno e eficiente, posicionamos a marca no cenário nacional, iniciamos também todo um novo processo cultural com valores e princípios da companhia que seguirão guiando no seu crescimento.

E mais uma vez, fruto de muito trabalho de uma história, eu recebo uma nova oportunidade, onde além de gerir sou convidada a ser sócia e eu não medirei esforços para transformar a Pasquifios de Itajaí em referência no mercado têxtil e voar muito alto.

Sobre os livros da também escrito Deise Silvano.

Sobre o primeiro Livro “Por que se dedicar se a empresa não é nossa?”, lançado pela Gráfica e Editora 3 de Maio Ltda., a obra tem o propósito de apresentar um pouco do trajeto percorrido em direção sucesso, e todos os prós e contras por trás disso. O livro aborda experiências e relatos vividos pela escritora, além de dicas e ferramentas para você ver a vida profissional com outros olhos. E o segundo, escrito a duas mãos com a advogada renomada Mariana Lixa o livro, “Girl Boss”, que foi pensado para construir valores coletivos, buscar mulheres que nos incentivem, assim como buscamos incentivar aquelas que nos cercam, que participam de nossas vidas. Reunimos no livro histórias de mulheres comuns que lutaram e conquistaram seus espaços, essas histórias reais mostram além de falar como fazer e sim mostram o caminho percorrido, as dificuldades que fizeram chegar, mostra a realidade, ou seja, a vida real que nos inspira a continuar a nossa história e acreditar que sim somos capazes. A essência principal do livro é menos competição mais inspiração. Deise Silvano continua trabalhando em seu terceiro livro, com título provisório “365 dias 8 horas e 1 emprego”. 

Deise mantém um projeto de leitura iniciado este ano, o projeto “Compartilhar”, que consiste em reuniões semanais para levantar conteúdos para todos que gostam de uma boa leitura. A prática da redação também é estimulada. O  objetivo é inspirar as pessoas a tornarem seus sonhos reais para que tenham uma vida mais significativa. O primeiro livro abordado  para leitura e voltado exclusivamente ao público dos amigos e colegas da Deise é muito especial com grande significado: “Mulheres que correm com os lobos (de Clarrisa Pinkola Estés) , livro que identifica a essência da alma feminina, sua psique instintiva mais profunda, como o arquétipo da mulher selvagem propõe, o resgate dessa essência como forma de atingir a verdadeira libertação.

 

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