Queda de cabelo pós Covid-19: como tratar?

Por: Dermatologia - Por Dr. Eduardo Bornhausen Demarch
Foto: Divulgação
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Apesar de todos os esforços da ciência, mensurar as consequências da Covid-19 em cada organismo ainda consiste em um trabalho árduo e em consultórios dermatológicos uma queixa vem se tornando cada vez mais frequente entre pacientes que tiveram a doença. Estamos falando da queda de cabelos e sabe-se que o problema afeta homens e mulheres de igual maneira.

Para entender o que leva à queda o dermatologista Eduardo Demarch explica quais são as três fases pelas quais os fios de cabelo passam. A primeira é a Anágena, que é a fase de crescimento e dura de dois a seis anos (período determinado pela genética e que explica o fato de algumas pessoas não conseguirem deixar o cabelo crescer além de determinado comprimento). Na Catágena o fio está em fase de repouso para, por fim, ser liberado do folículo piloso e cair, no que se chama fase Telógena.

O eflúvio telógeno é, de longe, a forma mais comum de perda de cabelo, vista como um efeito colateral de medicamentos ou em associação com doenças sistêmicas ou estados fisiológicos alterados. Ocorre quando do aumento da queda de fios telógenos normais em resposta a uma alteração fisiológica ou patológica. As causas mais comuns são: 

  • Pós-parto (fisiológica)
  • Pós-estado febril (febre extremamente alta. Exemplo: malária);
  • Infecções virais sistêmicas (como no Covid19);
  • Doença crônica grave (lúpus eritematoso sistêmico);
  • Estresse psicológico grave e prolongado;
  • Após grandes cirurgias;
  • Hipotireoidismo;
  • Dietas rígidas ou alterações nutricionais, entre outros fatores.

A queda capilar pode levar até seis meses para aparecer após a infecção por Covid-19.

“O que acontece é que após estados infecciosos como a Covid temos uma queda mais intensa de cabelos chamada Eflúvio Telógeno, que é quando os fios passam para a última fase do ciclo de crescimento antes do tempo”, salienta. O problema não leva a falhas, mas deve ser observado com atenção. Segundo o médico, o normal é que ocorra diariamente a queda de 50 a 100 fios de cabelo. Caso o paciente perceba um aumento, o ideal é buscar tratamento logo. “As pessoas costumam demorar a sentir essa queda e não relacionar com a doença, pois é comum que comece somente de três a seis meses após a infecção”, reforça.

O tratamento em geral é simples e combina o uso de substâncias direto no couro cabeludo com outras via oral, além de uma boa linha de produtos na hora de realizar o cuidado com os fios na hora do banho. No entanto fica o alerta: a queda de cabelo pode estar associada à deficiência de algumas vitaminas no organismo, como o ferro, zinco, vitaminas D e B12, por isso a importância de manter uma alimentação equilibrada e evitar dietas restritivas, especialmente nesse período de recuperação pós Covid. Outro alerta é que mesmo em pessoas cujos sintomas da doença foram leves ou moderados há registros de queda acentuada dos fios.

Há casos, no entanto, que a resolução não é espontânea. Caso o paciente já possua uma predisposição genética à calvície ou à alopecia areata, os danos podem ser maiores e os fios tendem a ficar ainda mais finos após a doença. Eduardo Dermach explica que esta última é uma doença inflamatória cuja queda gera falhas circulares no couro cabeludo e, apesar de ainda não haver comprovações concretas de que esteja associada à Covid-19, pode ser um gatilho para o aparecimento do problema. “Para todos os casos existe tratamento e analisamos cada pessoa isoladamente, de modo a fazer uma boa reposição dos fios perdidos e garantir que voltem a crescer com saúde”, destaca.

 

Estresse também pode levar ao aumento da queda de cabelo

Além daqueles casos em que o paciente foi contaminado pelo vírus da Covid-19, pessoas que estejam vivendo o estresse do isolamento também podem reclamar a perda de fios de cabelo. “Está bem documentado que a tensão e a tristeza desencadeadas por esses momentos alteram o ciclo de sono e os hábitos em geral, criando um contexto que acentua a queda de cabelo”, diz. Por isso, cuidar do estado emocional e receber a assistência médica necessária também nesses casos são medidas fundamentais para manter a saúde e os fios de cabelo em paz.  

Fora isso, seguem aquelas dicas básicas de cuidados. Unidos à alimentação, que deve ser rica em verduras, frutas e legumes, evite lavar os cabelos com água muito quente, fuja do secador e do atrito da toalha, tente não dormir com o cabelo preso ou molhado e, em caso de dúvidas ou na persistência do problema, não hesite em marcar uma consulta no profissional de sua confiança.

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

 

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