A cabotagem será o novo modal do transporte brasileiro?

Por: Política - Por Deputado Carlos Chiodini
Foto: Divulgação
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Desde que fui diretor do Porto de São Francisco do Sul, em 2009, sempre acreditei que a nossa estrutura portuária poderia ser melhor explorada. Temos 47 portos organizados e terminais de administração privativa por onde passam 95% das mercadorias que entram e saem do país. Não podemos negar que os portos brasileiros são de importância estratégica para o crescimento da economia.

Mas o modal rodoviário ainda representa 61,1% do total da matriz do transporte; o ferroviário, 20,7%; o aquaviário, 13,6%; o dutoviário, 4,2% e o aeroviário, apenas 0,4% segundo a Confederação Nacional de Transportes (CNT). Mas esses números podem ter forte mudança nos próximos anos, impulsionados pelo Programa BR do Mar, que estimula a cabotagem. Este, é o nome dado para a navegação entre portos ou pontos da mesma costa de um único país.

Anteriormente à aprovação deste projeto do Congresso Nacional, apenas empresas brasileiras e com navios próprios podiam realizar essas operações, o que reduzia a competitividade no setor portuário e levava muitas dessas cargas a serem transportadas pelas estradas, sobrecarregando as rodovias.

Com a mudança, a expectativa é de que passe de 11% para 30% a participação desse meio de transporte na matriz logística nacional, ampliando o volume de contêineres transportados para dois milhões de TEUs – unidade equivalente a 20 pés – já em 2022, além de alavancar em 40% a capacidade da frota marítima dedicada à cabotagem para os próximos três anos, segundo dados do Governo Federal.

A mudança deve aumentar a oferta e a qualidade do transporte por cabotagem, estimular a concorrência, incentivar a competitividade e aumentar a disponibilidade da frota dedicada à cabotagem no país. Com mais concorrência na prestação do serviço, os custos de transportes de cargas entre os portos do país tendem a cair. Ações voltadas à formação, à capacitação e à qualificação dos trabalhadores do setor também estão previstas.

Eu acredito que este é um segmento que ainda vai crescer muito, que vai se desenvolver e trazer bons frutos para o nosso país. Anos atrás uma cidade portuária sofria até preconceito, hoje é muito diferente. Tem oportunidades, cresce e se desenvolve com mão de obra qualificada. Hoje o setor rodoviário cumpre um papel que não é dele. Não é função deste modal percorrer distâncias de dois ou quatro mil quilômetros para poder dar escoamento de safra.

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