2021: De volta para o futuro?

Por: Insight Econômico - Por Cristian Rafael Pelizza
Foto: Divulgação
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No clássico filme de 1985, “De volta para o futuro”, o personagem Marty McFly é enviado ao passado e precisa enfrentar uma série de aventuras e desventuras para retornar ao futuro. Você pode se perguntar o que isso teria a ver com a economia brasileira hoje? Mais do que se poderia supor.

Com a crise causada pela pandemia em 2020, nosso PIB real per capita, que indica a renda média da população mantendo constante o poder de compra, recuou a níveis inferiores aos de 2014. Em termos econômicos voltamos no tempo. O processo não é necessariamente de hoje, o Brasil já havia passado por um belo retrocesso com a recessão de 2015, mas a pandemia aprofundou de maneira drástica a situação. Cerca de um ano após o período mais crítico da crise o país começa a vislumbrar algumas saídas. E assim como Marty Mcfly precisará superar alguns obstáculos de curto prazo para poder voltar ao futuro.

Inicialmente, o receituário clássico para combate de recessões indica uma política monetária expansionista, com quedas nas taxas de juros, associada à uma política fiscal agressiva, com aumento no gasto público. No entanto, o uso desses remédios por um tempo prolongado pode trazer efeitos colaterais importantes, que precisam ser sanados.

Em relação aos nossos principais desafios em 2021, excluindo as questões externas temos, estão os ajustes nas nossas políticas econômicas. Sobre a política monetária, o Brasil, ao longo de 2020, reduziu sua taxa básica de juros, a famosa Selic, até os menores patamares na nossa história. O principal problema, nesse caso, é que juros baixos, associados ao nosso real desvalorizado e ao aumento significativo nos preços das commodities (incluindo matérias primas básicas para a produção) acabou acelerando a nossa inflação, em especial a partir do fim de 2020. Com o resultado de abril, o acumulado de 12 meses atingiu 6,76%, mais de 1,5% acima do teto da meta e bem acima do centro da meta que é 3,75%. A resposta do Banco Central, foi iniciar um processo de alta nas taxas de juros. Em abril, a inflação mensal foi de 0,31%, abaixo dos 0,93% registrados em março. Portanto, temos um obstáculo inflacionário a ser enfrentado.

Quanto à questão fiscal, o Brasil talvez seja economia em desenvolvimento mais exposta. O que ocorre é que já enfrentávamos um problema fiscal sério antes mesmo da pandemia, acumulando déficits primários (que indicam que nosso governo gasta mais do que arrecada com impostos) e o enfrentamento da pandemia exigiu que se ampliasse ainda mais os gastos num momento em que as receitas tributárias caiam. Sob certo aspecto, é como se tivéssemos parcelado o pior da crise em 2020 em (nem tão) suaves parcelas a serem absorvidas pelo lado fiscal. A relação dívida bruta/PIB do Brasil se aproxima perigosamente dos 100%, o que significa que precisaríamos de um ano de produção apenas para pagar as dívidas públicas. O que isso pode acarretar é uma desconfiança cada vez maior dos investidores em relação a capacidade do país de honrar suas dívidas. E isso pode implicar em um real mais desvalorizado e taxas de juros mais altas se os investidores internacionais torcerem o nariz para nossa dívida.

Além dos desafios puramente econômicos o Brasil enfrenta uma corrida pela vacinação que tornaria possível a reabertura da nossa economia e os tradicionais ruídos políticos, que não são novidade nenhuma em nosso país. Mas passando os obstáculos de curto prazo, o que seria o futuro para a economia brasileira? Uma palavra resume tudo: produtividade. Se o Brasil quiser crescer de modo consistente nos próximos anos precisará fazer reformas chave que tirem a nossa produtividade de uma estagnação de décadas. Isso só será possível com reformas estruturais que induzam ao empreendedorismo e inovação, investimentos em infraestrutura e qualificação da nossa mão-de-obra. Uma das grandes perdas que a pandemia trouxe para nossa economia foi a paralização de toda a pauta de reformas, que incluíam a questão tributária e administrativa. Esse um ano e meio parado somado às décadas perdidas tornam nosso atraso quase eterno.

Enfim, se o Brasil fizer a lição de casa, 2021 tem tudo para ser um ano de inflexão, em que, superadas, pelo menos parcialmente, as querelas de curtíssimo e curto prazo o país possa vislumbrar novamente o futuro. Não será um caminho fácil, mas confiamos que como no filme “De Volta para o Futuro”, o final seja feliz.

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