Vinho brasileiro: o mais europeu dos latinos

Coluna Vinícola – Guilherme Grando

1 min para ler 14 nov, 16

Temos vivido uma experiência muito construtiva para o setor, afinal está mudando o conceito dos que não acreditavam no vinho nacional. Nossos produtos têm obtido inúmeras vitórias tanto em concursos quanto em degustações não oficiais, porém, sempre que ambas são realizadas às cegas. Nestes dois casos os vinhos e espumantes nacionais tem se destacado em qualquer lugar. Friso muito no aspecto de se degustar sem conhecer o rótulo pelo simples fato de nós ainda sermos muito preconceituosos com os produtos de nossa terra.

Porém, mais do que analisar o aspecto de se acreditar ou não na marca Brasil, está o fato de hoje complementá-lo com a observação que mais ocorre, qual seja, a de se comparar – inclusive enquanto se degusta às cegas – o produto nacional ao europeu.

Há algum tempo o proprietário de uma das mais famosas champagnes declarou que o melhor espumante do mundo seria o brasileiro. Lembro, aqui, que a França também possui muitos espumantes, os conhecidos por cremants, aqueles que não são feitos na região demarcada de champagne. Mais do que isso, o vinho brasileiro tem se destacado e tem sido considerado por muitos o mais europeu dos vinhos latinos. De fato é. Temos um produto muito mais elegante, fácil de beber e leve do que os demais produtos da América Latina, tendo, porém, a mesma capacidade de envelhecimento.

Não estou aqui falando que os potentes vinhos chilenos não sejam bons, pelo contrário, mas sempre que alguém fala em estar no auge das degustações se lembram de um grande Borgonha. Exatamente aqueles franceses delicados, complexos, leves, mas de grande potencial de guarda. Características parecidas, preconceitos diferentes.

Seja do Estado que for, precisamos começar a degustar nossos vinhos e espumantes com rótulos expostos e orgulho da qualidade.