Viajar é abandonar a base

O inusitado sempre será regra e o improviso saída

1 min para ler 30 dez, 17
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O instinto exploratório é próprio da natureza humana. Nascemos inerentemente errantes e fomos, ao longo da história, abandonando a vida nômade. Tal comodismo nos tornou estressados, intolerantes, prepotentes, insatisfeitos e chatos, pois lá no nosso íntimo, a estrada aberta e desconhecida continua nos chamando a sair do quadrado. Logicamente já não dependemos disso para ‘sobreviver’. Mas passamos a precisar disso para ‘viver’. Sustento a ideia de que o mundo é tão grande para ser explorado e, ao mesmo tempo, tão pequeno para não ser conhecido. Como alimento a crença de que o ato de viajar, seja qual for o lugar ou distância, faz com que nunca retornemos ao ponto de partida. Significa dizer que, viagem não nos amplia, necessariamente, a dimensão geográfica do mundo, mas expande, seguramente, a dimensão de deu sentido. A viagem proporciona convivência e relacionamento com todos os povos sem que conheçamos todos os idiomas, pois nos damos conta que humildade, sorriso e gentileza são linguagens universais. Descobrimos que o inusitado sempre será regra e o improviso saída; que o planejamento nunca será um guia implacável. Percebemos que sempre somos novatos; que se perder é o melhor caminho. Passamos a entender que o erro tem grande valor; que nossos problemas se tornam pequenos diante dos problemas do mundo, e aprendemos a enxergar o que possuímos de bom; que nossa religião, valores e cultura não são as melhores, nem nossas mazelas as piores. Reafirmamos a convicção de que experiências e conhecimentos podem proporcionar muito mais felicidade do que coisas; que a sensação de lar passa a ser o mundo e não a casa onde habitamos; que o vício da viagem nos liberta mais facilmente de nossos preconceitos. Por fim, concluímos que a lógica de fronteiras e separatismos que fracionam o mundo, não faz o menor sentido, senão regressar ao ponto de partida. Viajar também é sonhar.

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Nelson Luiz Pereira