Sonho realizado

Após muitas tentativas de passar no vestibular para medicina, Aline Silveira comemora a conquista

2 min para ler 12 jun, 17

O primeiro semestre está quase chegando ao fim, mas sem dúvidas passar no vestibular para medicina continua sendo um dos melhores presentes que Aline Silveira, a aniversariante do mês, poderia receber na vida. A jaraguaense de 22 anos conta que desde a infância tinha o sonho de seguir a profissão do pai e exagera contando que prestou vestibular umas 30 vezes. “Eu não acreditava que pudesse passar e essa era a principal barreira para a minha realização. Foi só quando passei a confiar em mim e focar nos estudos que as coisas começaram a acontecer”, destaca.

A oportunidade, no entanto, surgiu longe de casa e ela faz o curso na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, interior de São Paulo. A instituição ainda é nova – Aline faz parte da quinta turma –, mas é bem conceituada e mantém apenas cursos na área da saúde, agregando também aspirantes a dentistas. A experiência longe de sua terra natal, no entanto, não assusta a jovem, que já morou em Balneário Camboriú e Porto Alegre, onde iniciou outros dois cursos superiores em três universidades.

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“Posso dizer que vivi os últimos anos muito intensamente, mas já estava cansada dessas mudanças e agora pretendo me dedicar integralmente ao curso”, reforça. Nem haveria maneira de ser diferente. As aulas são em período integral, Aline cursa atualmente 14 disciplinas diferentes e chega a desabafar que passar no vestibular foi a parte mais fácil nessa trajetória, que deve se estender pelos próximos seis anos.

Aliás, cabe destacar que a garota fez o vestibular em segredo e só comunicou a família quando soube o resultado. Para justificar a ida à São Paulo, inventou que participaria de um congresso e os pais receberam a notícia da aprovação meio no susto, mas não hesitaram em apoiar a garota e ajudá-la a realizar o sonho. Hoje Aline mora sozinha em Campinas e visita Jaraguá do Sul esporadicamente. Conta que sente falta da vida social e das praias, mas para ela, que é filha de hematologista e de enfermeira, todo o esforço será recompensado e hoje a admiração pelo trabalho dos pais só aumenta. “Eu cresci dentro de um hospital, mas só agora, com a experiência em unidades básicas de saúde, é que sou capaz de perceber a complexidade desse trabalho”, salienta a jovem, que ainda não sabe qual especialidade seguir no futuro, mas tem inclinação para a dermatologia e pediatria.

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Depois de cursar relações internacionais e biologia durante algum tempo, além de vários cursos de teatro no currículo, hoje ela tenta tirar proveito de cada uma dessas experiências na área médica e afirma: ter passado somente agora em medicina foi bom, graças a maturidade conquistada. “Vejo que a medicina foca muito na doença quando o correto seria investir no ser humano e o teatro nos ajuda no sentido de perceber e observar os outros. Muitas vezes os pacientes só precisam de atenção, de um atendimento mais humanizado, e tiro essa base das minhas experiências em cena”, revela. Segundo ela, assim como o teatro, a medicina também é uma arte no sentido da relação com os seres humanos e ela não descarta, no futuro, voltar a dedicar um tempo para essa segunda paixão.

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No momento, porém, o foco é total nos estudos. Por vezes Aline conta que a experiência é complicada, mas ela para, se imagina trabalhando no futuro e encontra motivação para seguir em frente. “Sinto-me realizada e hoje sei que se realmente acreditarmos em nossos sonhos eles podem se realizar. O que é nosso sempre encontra uma maneira de chegar até nós”.