Sangue – doe, não dói

Por Nelson Luiz Pereira

2 min para ler 10 dez, 17
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Subitamente o ano se finda e, dentre tantas realizações, sequer nos damos conta de que manter a vida pulsando é a conquista que realmente faz sentido. Só o ‘milagre do sangue’ nos proporciona isso. Todavia, dados históricos apontam que a escassez desse poderoso e complexo fluido, se acentua em épocas de inverno e finais de ano. Quem não conhece uma história envolvendo alguém que tenha se beneficiado desse ato solidário que, em essência, nos faz humanos? Faz-se oportuno salientar que, a doação de sangue em nosso país é 100% voluntária e, segundo estatísticas oficiais, é praticada por 1,8% a 2,0% da população. Índice pífio se considerarmos que a OMS – Organização Mundial da Saúde recomenda que, entre 3,5% e 5% dos habitantes de um país doe sangue. Como forma de expandir esse índice, em 2013 o nosso Ministério da Saúde reduziu a idade mínima de 18 para 16 anos e a máxima de 60 para 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido antes dos 60 anos. Ou seja, o governo expandiu “quantitativamente” a base amostral de doadores dentro do potencial universo populacional brasileiro, mas, na dimensão “qualitativa” não se verificará expansão na mesma proporção. As razões, a meu ver, estão relacionadas a dois determinantes fatores limitadores do processo de doação, quais sejam: a falta de informação da população conjugada com a falta de conscientização. Lamentavelmente, a falta de informação alimenta crenças totalmente descabidas, quando não patéticas. Vejamos alguns exemplos corriqueiros: ‘não doo sangue porque correrei risco de contaminação’; ‘se eu doar, terei que doar sempre’; ‘meu organismo não recuperará a quantidade doada’; ‘se eu doar, meu sangue poderá afinar ou engrossar’; ‘a doação fará com que eu emagreça’; fará com que eu engorde’. Já, a falta de conscientização, por sua vez, está intimamente relacionada à atitude, refletindo-se em posturas e iniciativas indecorosas como: ‘vou doar para me certificar se não contraí alguma doença’; ‘vou doar para obter um dia de licença remunerada em meu trabalho’; ‘vou doar como opção de horas complementares do meu currículo escolar’; e, talvez a mais irônica, ‘não vou doar porque dói, tenho medo’. Há que se extirpar tais crendices e atitudes levianas por parte dos que seriam potenciais doadores, e evidenciar que doar sangue é doar vida. ‘É para quem tem sangue nas veias’. Hematologistas estimam que cada doador pode salvar até quatro vidas. Nessa perspectiva, o ato para ser legítimo, deverá estar imbuído de caráter altruísta, voluntário, solidário e cívico. Em essência, são esses os vitais elementos que deverão compor o sangue de um doador. E em sua consciência, a convicção de que “quem salva uma vida, salva o mundo inteiro” (Talmud). Vivemos a era do compartilhamento, então porque não compartilhar vida também?

Ligue Hemocentro Jaraguá: 3055.0454.

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Nelson Luiz Pereira