Pesquisadores afirmam que poluição do ar mata mais de 20 mil pessoas por ano

Estar exposto a apenas um dia de poluição pode ser letal

3 min para ler 12 jan, 18

Não importa se a pessoa está vivendo no caos cidade cinza ou em uma área mais afastada da metrópole: estar exposto a apenas um dia de poluição pode ser letal para pessoas mais velhas, mesmo que os níveis de contaminação estejam baixos ou dentro dos limites de segurança.

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A constatação é de um estudo feito pela Escola de Saúde Pública de Harvard T.H Chan, depois de observar 22 milhões de mortes nos Estados Unidos. A pesquisa também apurou que mais pessoas estão morrendo por conta da poluição do ar nos últimos anos. Segundo a análise, o problema mata mais de 4,6 milhões de pessoas por ano, levando em consideração pessoas de idade mais avançada. Os pesquisadores alertam que é irrelevante se o indivíduo vive em uma cidade fortemente poluída ou está longe da fumaça: em ambas as áreas há um risco semelhante. Pequenas partículas de poeira, fuligem e fumaça, consideradas inaláveis, são conhecidas como PM2.5, e representam a maior ameaça para idosos, conforme concluíram os cientistas da instituição. O professor Joel Schwartz, co-autor do estudo, advertiu os perigos de pequenas mudanças nos níveis de PM2,5. “Isso pode ser interpretado como sendo o PM2,5 como o causador de mais de 20 mil mortes por ano”, destacou ele.

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O especialista também comentou que foi percebida uma ligeira diminuição no ozônio, uma forma instável de oxigênio produzida quando a poluição reage com a luz solar, que poderia “economizar 10 mil vidas por ano”. Tais pequenas mudanças podem ser observadas em áreas rurais, quando as pessoas passam muito tempo ao lado das principais estradas ou usando equipamentos a diesel. As informações do relatório foram publicadas no Jornal da Sociedade Médica Americana.

Idosos sofrem mais
As consequências de um ar muito poluído em pessoas idosas e doentes, principalmente aqueles que já têm dificuldade em respirar, “pode leva-los até o limite”, disseram os especialistas. Isso porque os efeitos podem piorar condições respiratórias existentes, como a asma ou doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC). A Organização Mundial da Saúde estima que 92 por cento da população mundial atualmente vivem em áreas onde a poluição excede as diretrizes de segurança. E a exposição à partículas poluentes a longo prazo tem sido repetidamente associada a doenças cardíacas e câncer.

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Bebês
Recentemente, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou que pelo menos 17 milhões de bebês estão vivendo em áreas onde os índices de poluição é seis vezes mais alto do que os limites considerados saudáveis. A exposição pode causar prejuízos severos à saúde das crianças, danificando seus pulmões e colocando em risco o desenvolvimento cerebral sadio. “As substâncias contaminantes não só danificam os pulmões em desenvolvimento dos bebês, também podem causar lesões permanentes em seus cérebros e, portanto, prejudicar seu futuro”, afirmou o diretor-executivo da Unicef, Anthony Lake sobre as ameças da poluição do ar. Segundo as informações da organização sobre o relatório “Perigo no Ar”, publicado nesta quarta-feira (6), em Daca, capital de Bangladesh, mas de três quartos dos menores de um ano de idade que respiram os níveis de poluição seis vezes maior do que é estabelecido vivem no sul da Ásia, o que representa em números mais de 12,2 milhões de crianças. A Unicef ressaltou que muitos desses bebês já vivem em condições desfavoráveis socialmente e, especialmente as que residem em comunidades mais pobres, estão expostas a riscos ambientais pela falta de água potável e condições sanitárias que lhes fazem ser vulneráveis a doenças infecciosas. O relatório apontou também que no extremo Oriente e na região do Pacífico vivem cerca de 4,3 milhões de bebês nestas condições.

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Danos à saúde
De acordo com o documento, as partículas ultrafinas de poluição são capazes de adentrar a corrente sanguínea da criança e obstruir a barreira entre o sangue e o cérebro, o que pode levar a uma neuroinflamação, o que pode significar maior dano aos bebês , que estão mais vulneráveis e em processo de formação cerebral. As partículas podem afetar algumas zonas específicas para a comunicação entre os neurônios e transmitir uma carga magnética que é responsável pelo desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Para tentar reverter a situação, a Unicef pediu mais investimentos em energias renováveis e melhoria no acesso ao transporte público. Além disso, como uma medida paliativa e imediata, a organização pede que pais transportem as crianças em horários do dia com menos poluição.

Fonte: Saúde IG