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Odair José Borges de Freitas, da ABF Automecânica, faz um balanço das mais de duas décadas de oficina

6 min para ler 13 abr, 17

Se para alguns setores da economia o desaquecimento nas vendas de carros novos é prejudicial, para Odair José Borges de Freitas, da ABF Automecânica, é motivo de celebração, pois significa mais gente preocupada em manter o desempenho do veículo, colocando em dia a manutenção preventiva que é o foco da oficina. “Investir nesse serviço é bom para a ABF e para o cliente. Enquanto ele ganha em segurança e economia, eu fidelizo o atendimento incentivando a voltá-los periodicamente para que tudo esteja sempre em perfeito funcionamento”, destaca.

Com essa vocação não tem espaço para crise no dia a dia do estabelecimento e o empresário prevê crescimento para o segundo trimestre, apesar de o cenário geral no país ainda indicar retração econômica. Aliás, se tem uma coisa que Odair sempre soube fazer muito bem foi tirar proveito dos momentos de dificuldade para crescer. Natural de Palotina/PR e criado no município catarinense de Itá, ele veio a Jaraguá do Sul para assumir ao lado do irmão e de mais um sócio o comando da ABF. Ganhou o status de chefe de oficina, mas admite que precisou correr atrás de conhecimento técnico para fazer jus ao cargo.

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No início ele se limitava a fazer o primeiro atendimento e repassar o problema para o mecânico, mas, movido pela curiosidade, aprendeu muito observando, perguntando e, decidido a crescer no mercado, se tornou um exímio mecânico, especializado em marcas nacionais e importadas quando se trata de direção hidráulica, injeção eletrônica, câmbio automático e ar-condicionado. “Decidi sair de casa e vir atrás do meu irmão porque enxergamos uma carência na cidade e a possibilidade de crescimento profissional. Foi difícil ficar longe de casa no início, mas agarrei a oportunidade e hoje sou muito grato a tudo que conquistei”, reflete.

Vinte e dois anos atrás, quando a mecânica surgiu, ele conta que haviam poucas oficinas na cidade e a ideia de investir no mercado partiu de uma situação particular. Dono de um Fiat 147, o irmão de Odair não aguentava mais levar o carro de um lado para o outro e nunca ter o problema solucionado. Como já trabalhava com representação de auto peças, juntou o útil ao agradável e, em um espaço modesto onde só cabiam dois carros por vez, deu início ao negócio. Por incrível que pareça, Odair conta que nessa época a dificuldade maior não era conseguir clientes. Como o outro sócio era daqui e já trabalhava na área, acabou trazendo muitas pessoas para o novo espaço. Difícil mesmo foi se habituar à cidade.

Sem conhecer ninguém e estranhando a cultura fechada dos alemães, ele afirma que passou seis meses praticamente trancado em casa. “Eu aluguei um quarto nos fundos da oficina e era ali que passava o tempo livre. Meu irmão era recém casado e eu sofri muito para fazer amizades aqui”, lamenta. O sentimento de solidão, porém, nunca foi confundido com a ideia de fracasso nos negócios e ele logo buscou maneiras de se inserir na comunidade. Se inscreveu em um cursinho pré-vestibular, mas foi no associativismo que encontrou a chance de ouro de se tornar conhecido e ainda trazer desenvolvimento não só para a ABF, mas para todo o setor de mecânicas da região.

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Participação ativa na comunidade e nas decisões envolvendo o setor

Desde 1998 Odair José Borges de Freitas faz parte do Núcleo de Automecânicas da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs/Apevi) e faz questão de destacar o papel fundamental que o trabalho da entidade teve em sua trajetória. “Foi ela que me propiciou boa parte do conhecimento que tenho na área e o envolvimento com a comunidade. Se a ABF cresceu e hoje é referência devo isso à Acijs”, frisa ele, que é integrante assíduo do Núcleo e já presidiu o grupo em algumas gestões.

Ele lembra que o papel dos encontros foi se transformando ao longo de tempo, mas não pensa em se afastar das atividades. “Antes de o ex-presidente Fernando Collor abrir o mercado para o exterior haviam no país quatro marcas de carros. Hoje são inúmeras e, na época, as fabricantes eram resistentes ao dividir o conhecimento a respeito dos veículos com os profissionais de oficinas. Desse modo, o núcleo surgiu para fazer pressão nesse sentido e trocar informações para que o setor como um todo saísse fortalecido”, explica. Hoje, com a internet, o foco mudou e o grupo reúne empresários interessados em crescer e pensar no negócio em si, focado na gestão.

Odair conhece bem a importância disso e não se restringiu ao ambiente da oficina para buscar formação. O empresário tem diploma de Ciências Contábeis e cuida de perto da administração da ABF enquanto se divide entre a capacitação técnica permanente e uma série de outras participações associativistas. “Faço parte do Núcleo Estadual de Mecânicas (NEA) como presidente do Conselho e me orgulho muito de ter criado a Associação dos Reparadores Veiculares de Santa Catarina (ARVESC) na minha gestão. Sou conselheiro do Cômite Trânsito + Seguro e integro a Associação de Pais e Professores da EMEB Albano Kanzler”, lista, lembrando a época em que também fez parte da Apevi. Atualmente é Vice-presidente da Acijs, sendo responsável pelo marketing da entidade. Odair também é membro de comissão responsável por revisar as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que regem procedimentos para diagnóstico e manutenção dos veículos.

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Esforço que rende reconhecimento

No final do mês Odair participa ainda da Automec, uma das feiras mais importantes do setor, e em agosto já tem compromisso marcado na Enfauto, encontro que reúne profissionais de automecânica de todo o país e que já sinaliza no sentido de um movimento nacional permanente, assim como o criado pelos núcleos municipal e estadual do qual participa. “Pessoas de fora do Estado vêem o Nucleo Estadual de Automecânicas (NEA) como referência e se interessam por conhecer de perto esse trabalho”, conta ele, sem esconder o orgulho de fazer parte disso tudo e de ser um dos participantes mais antigos ainda em atividade dentro dos grupos de discussão.

As atividades demandam tempo, é bem verdade, e por vezes terminam em cobrança por parte da família, mas é inegável que vêm trazendo resultados para a ABF. O estabelecimento acumula prêmios como destaque e por duas vezes, em 2013 e 2016, foi campeã da etapa estadual do MPE-SC na categoria de serviços. O prêmio foi dado pelo Sebrae e Instituto Nacional da Qualidade e ele sonha longe, buscando novas categorias para concorrer e elevar ainda mais o nome da oficina. Desde 2015 a empresa também mantém parceria com a Bosch Car Service, que possui mais de 1.200 lojas no país e oferece equipamentos, peças e assessoria com qualidade e rapidez para a equipe ABF.

Outro diferencial é a assistência técnica garantida, que permite a troca de peças na garantia em uma série de oficinas mecânicas espalhadas por toda Santa Catarina, e equipamentos de ponta, como scanner de última geração para identificar defeitos e softwares constantemente atualizados para dar conta de carros cada vez mais sofisticados e que a cada nova versão saem da fábrica mais tecnológicos. Sobre a necessidade do aprendizado constante, ele avalia: “essas atualizações são seletivas e determinam quem fica no mercado e quem não está preparado para os dias atuais”.

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No tempo livre, dedicação total à família

Casado desde 2006 com Araceli e pai de Carlos Eduardo (nove anos) e de Roberta (um ano e nove meses), Odair curte o tempo livre ao lado da família e não dispensa um programa ao lado dos pais e dos irmãos. Após algumas idas e vindas, a família toda se estabeleceu em Jaraguá do Sul e ele não esconde a alegria de estar próximo das pessoas que ama. “Hoje não me vejo em outro lugar e adoro estar em casa rodeado de alegria”, comenta, reafirmando que os tempos de solidão na cidade ficaram no passado.

Alguns parentes permanecem em Itá, assim como amigos de infância, de quem não se esquece. Fato que coloca a pequena cidade dentro do roteiro de viagens e passeios com certa frequência. “Meu filho e eu também gostamos muito de cavalo e possuímos um e outro programa que fazemos constantemente é pegar o motor home e participar de rodeios”, detalha.

Sobre o futuro, ele faz planos de ampliar a ABF e conta que já pensou em abrir uma segunda oficina, mas que este não é o momento. Por hora pensa em fortalecer a marca focando na manutenção preventiva e talvez investir em outros negócios dentro da área de automecânica. “Temos uma equipe qualificada de profissionais e prova disso são clientes que há mais de dez anos trazem seus veículos até aqui. Só tenho a agradecer e repito que a melhor propaganda ainda é o boca a boca, por isso o diferencial do bom atendimento conta bastante”, finaliza.

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