Lázaro Ramos lança “Na Minha Pele”

Obra é a primeira para o público adulto e traz à tona discussão acerca do preconceito racial.

2 min para ler 13 jul, 17

Eu escrevo para falar de carinho e afeto. De como uma pessoa pode afetar a outra e promover mudanças”. A frase é de Lázaro Ramos no lançamento do seu novo livro, o primeiro para o público adulto, intitulado “Na Minha Pele”. O encontro com os leitores teve espaço na 14ª Feira do Livro de Joinville e trouxe para a discussão um tema importante: a necessidade de enxergar na diferença um grande valor, focando especialmente na questão racial.
Apesar de garantir que a obra não é autobiográfica, o ator, escritor, diretor e produtor se vale de passagens de sua vida para ilustrar questões que vão muito além quando o assunto é preconceito. “Não tenho o compromisso de contar a minha história, no entanto passei e ainda passo por situações comuns à população negra e elas servem para ilustrar o preconceito velado – e algumas vezes nem tanto – que ainda existe no país”, explica.

whatsapp-image-2017-06-28-at-12-22-02

Segundo Lázaro, vivemos em um mundo de desamor e, com esse livro, ele pretende despertar para a questão do afeto, de se importar com o outro e de trazer o diálogo para o centro de nossas ações. “Hoje vemos as pessoas discutindo nas redes sociais na tentativa de impor a sua opinião, mas só um diálogo de verdade tem o poder de transformar”, conta. Talvez por isso o próprio autor tenha demorado para encontrar a “voz correta” para o livro, que ele afirma não ter gênero definido e ser uma “conversa disforme sobre a formação de identidade”.

Publicidade

gifff

Durante entrevista, ele confidenciou que levou mais de dez anos para produzir “Na Minha Pele”. Lázaro Ramos conta que a obra começou bastante técnica, colhendo dados estatísticos, mas mudou depois que tomou contato com bloggers, youtubers e novas teses a respeito do assunto que saiam das faculdades pelo Brasil. “O assunto é incomôdo e, além disso, é complicado falar da sua dor, de discriminação. É sempre mais fácil silenciar o problema que tentar entendê-lo”, argumenta. Uma década pensando o assunto serviu para que encontrasse o tom certo e ele resume o objetivo com o trabalho: “a ideia é que as pessoas vejam que são parte do problema e da solução contra o preconceito racial”.

1497047981998-1

Questionado por uma criança durante bate papo com leitores se ele havia sofrido preconceito na infância, o escritor deixou uma lição de valorização e autoestima, afirmando que o preconceito não pode ser maior que ninguém e que as pessoas devem se aceitar. “Quando as pessoas me criticavam de alguma maneira eu olhava no espelho e repetia para mim mesmo todas as qualidades que acreditava possuir”, diverte-se com seu humor caracterísco, logo assumindo novamente o compromisso social da obra. “Sei que sou um caso de exceção no país, com trabalhos frequentes e de sucesso, mas quantos talentos estão escondidos por aí sem a oportunidade de mostrar o seu trabalho por conta do preconceito racial”, questiona.

Lázaro Ramos também é autor de outros três livros infantis: “As Paparutas”, “A Velha Sentada” e “Caderno de Rimas do João”.