Fake News – a banalização da mentira

Um desrespeito ao jornalismo profissional

2 min para ler 15 jan, 18
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Já somos uma nação beirando os 210 milhões de habitantes, com 1 smartphone per capita. Nos tornamos, subitamente, uma massa de produtores, consumidores e disseminadores de conteúdos graças ao ‘ecossistema’ web. Vamos lá, essa informação não é fake ok? Nem se enquadraria como relativização de uma verdade. Tampouco como criação de uma realidade alternativa. Ela é fato comprovável e provém de pesquisas extraídas de fontes fidedignas e, aqui, publicada num veículo de comunicação reconhecido. No entanto, não é essa a dinâmica que rege a expressiva maioria dessa massa, tendo a sua disposição o denso cardápio de meios digitais. Penso que ela seja regida pela sensação de claustrofobia social que nos encontramos, pelo ímpeto populista e mitomania que vem se intensificando no contexto político brasileiro, sem ignorar a onda de nacionalismo autoritário aflorando-se pelo mundo. Somamos a esses elementos, o perfil de intensa parcela da massa nacional, desprovida de pensamento crítico, e teremos o terreno fértil para proliferação e banalização da mentira. Então, fatalmente nos indagaremos: onde isso poderia nos levar? Bem, temos registros históricos clássicos e notórios das consequências extremas que a banalização da mentira pode provocar numa sociedade. O stalinismo e o nazismo são exemplos bem ilustrativos e factuais. Mas me limito aqui a conjecturar acerca das ameaças e oportunidades que esse fenômeno pode representar sobre o novo e bom jornalismo, enquanto bem social para uma democracia. Esse cenário motivará duas posturas estratégicas determinantes por parte das organizações jornalísticas: i) a de ‘melhor se guiar’; ou ii) a de ‘se deixar guiar’. As orientadas pela oportunidade de ‘melhor se guiar’, concentrarão e incorporarão esforços na operação fact-checking de forma obstinada e meticulosa, preservando a integridade e credibilidade. Já, as que adotarem a postura contrária, seguirão engrossando o caldo da estupidez coletiva até sucumbirem. Se já identificamos então, as duas consequentes posturas dos geradores institucionais de informação, não poderíamos nos furtar de retratar também, a postura dos geradores civis ou pessoas físicas nesse processo. Pois bem, é nesse ambiente que nos deparamos, cotidianamente, com a miríade de perfis psicossociais produzindo, consumindo e compartilhando fake news. Há os poucos que agregam algo para você, e os muitos que nos exigem esforço para engolir. Naturalmente, cada um de nós é avesso a determinado perfil. Repito o que já publiquei nesse espaço, sou particularmente avesso ao perfil “lorpa”, aquele que compartilha notícias sem fontes reconhecidas, e ao ser questionado sobre a autenticidade do conteúdo responde, “não sei, só repassei”. O perfil “lorpa” não se dá conta de que essa atitude de fake journalist, além de nada informar, configura um desrespeito ao jornalismo profissional que emprega estrutura e recursos humanos para ir a campo buscar a informação relevante, crível e confiável. Tampouco, o “lorpa” se dá conta de estar praticando um crime. Enfim, o cenário que vem se configurando com todos esses elementos conjugados, me sugere que elegeremos este ano um fake presidente. Obs: isso é só um palpite.

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Nelson Luiz Pereira