Cores, Sotaques & Sabores

Brasil, meu Brasil brasileiro…

1 min para ler 13 fev, 17

Lundu ou lundum é uma dança brasileira de natureza africana e brasileira criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos de Angola que encantou a todo povo português. Da África, o lundu trouxe a base rítmica, uma certa malemolência e seu aspecto lascivo, evidenciado pela umbigada, pelos rebolados e por outros gestos que imitam o ato sexual. Da Europa, aproveitou características de danças ibéricas, como o estalar dos dedos, a melodia e a harmonia, além do acompanhamento instrumental do bandolim.

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É considerado por muitos como o primeiro ritmo afro-brasileiro em formato de canção, fruto de um sincretismo. Musicólogos afirmam que o samba tem sua origem no lundu, por via do maxixe, mas há controvérsias quanto a esse ponto de vista.

Em Portugal, o lundu recebeu polimentos da corte, como o uso dos instrumentos de corda, mas foi proibido por Dom Manuel por ser “contrário aos bons costumes”. Ao vir diretamente de Angola para o Brasil, porém, recuperou aqui o acento jocoso, mordaz e sensual que incomodara a sociedade lisboeta.

Nos finais do século XVIII, presente tanto no Brasil como em Portugal, o lundu evoluiu como uma forma de canção urbana, acompanhada de versos na maior parte das vezes de cunho humorístico e lascivo, tornando-se uma popular dança de salão.

Em terras brasileiras, a dança do lundu foi cultivada por negros, mestiços e brancos e, durante o século XIX, o lundu virou lundu-canção, sendo apreciada em circos, casas de chope e salões do Império.

Com essa popularidade, tornou-se o primeiro gênero musical a ser gravado no Brasil, com a canção “Isto é bom”, na voz de Bahiano em 1902, pela Casa Edison.

“Havia mulatos célebres, aplaudidos nos salões por darem ao lundum um acento libidinoso como ninguém: era uma feiticeira melodia sibarita, em lânguidos compassos entrecortados, como quando falta o fôlego, numa embriaguez de sensualidade voluptuosa” (Oliveira Martins, História de Portugal, vol. II, Lisboa, 1920).

O lundu saiu de evidência no início do século XX, mas deixou seu legado, principalmente no que tange ao ritmo sincopado, no maxixe (outra forma musical híbrida urbana que deve suas origens à polca e à habanera).

Bibliografia consultada:
– DINIZ, ANDRÉ. Almanaque do samba. Jorge Zahar Editor Ltda, 2006. ISBN 8571108978

E ainda neste ano estaremos com uma iniciativa fantástica em Jaraguá do Sul. Venha conhecer um pouco mais da história brasileira através da oficina Ritmos do Brasil, com o apoio da Revista Nossa e realização da Inecajo – Instituto Emílio Carlos Jourdan.

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Omar Forte é Professor de Educação Física CREF 9651-SC – Especialista em Gerontologia/Mestrando Ciência do Movimento Humano, Professor de Dança e
Dançarino da Escola Dançar A2, Personal Trainer Grupos Especiais e Colunista da Revista Nossa.