Contrabando de vinhos

Mais um lado da corrupção nacional

1 min para ler 22 jun, 17

Foi deflagrada nos últimos dias uma operação da Polícia Federal contra o contrabando de bebidas alcoólicas originárias de Dionísio Cerqueira com destino a Balneário Camboriú. Esta, porém, foi uma minúscula demonstração do que acontece diariamente em nosso Estado. Contrabandistas cruzam a fronteira com a Argentina em busca de vinhos baratos e os trazem para consumidores finais e até mesmo lojas e restaurantes espalhados por toda Santa Catarina.

Não sou contra o brasileiro pegar seu carro e ir até a fronteira comprar seu queijo, azeitona ou vinho dentro de sua cota, isso é um direito internacional. Ademais ele gasta com o carro, hotel, comida, enfim, faz turismo interno até que chegue na fronteira. É, porém, justamente daqui que extraímos o cerne do problema. Pra que compraríamos lá fora se aqui fosse tão barato quanto? Tudo é porque nosso país cobra impostos demais.

Feita a defesa quanto ao turismo, voltemos ao contrabando. Este não é justificado por nada. Destruímos a indústria nacional, geramos déficit de impostos que fazem com que o governo encareça mais ainda os internos, deixamos uma rede de criminosos se instalar e reduzimos empregos.

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Friso que o maior criminoso de todo o esquema é quem compra. Se não tivesse quem se acha na vantagem de pagar menos, não haveria o contrabandista. Não adianta sonharmos em acabar com a corrupção nacional se estamos comprando vinhos frios. O vinho importado não destrói a indústria nacional, desde que comprado por importadoras que pagam impostos e geram emprego. Esperamos que esta operação não acabe sem que se consiga derrubar todos os elos de mais esse aspecto corrupto do brasileiro.

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Guilherme Grando é Diretor Comercial da vinícola Villaggio Grando e colunista da Revista Nossa.