Bravo! mais um FEMUSC sem ‘ré’

No universo da música não há limites

2 min para ler 20 jan, 18

Ao som de efusivos aplausos abriram-se, no último domingo (14), as cortinas da 13ª edição do Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), estendendo-se até o próximo sábado (27). Como expectador ávido, percebo que com exímia regência assegura-se, mais uma vez, a fina sintonia entre a brilhante execução e os limitados recursos orçamentários. Isso só reforça minha convicção de que no universo da música não há limites. Enquanto o país ainda ensaia reverter a marcha ré, o Femusc, de forma desafiadora, avança surpreendendo e emocionando. Essa mansidão sinfônica é tão envolvente que nos leva até a acreditar que lá na frente o país possa engatar a primeira marcha.

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Penso, no entanto, que o desafio maior a ser superado, é de caráter cultural. Significa dizer que, dentro da diversidade de gêneros que caracterizam a música brasileira, a participação erudita, ainda é tímida. Embora referências célebres como Villa-Lobos e Camargo Guarnieri sejam notórias e determinantes, não se pode ignorar que ainda é pífio o reconhecimento acerca da talentosa e considerável produção desse gênero musical que vêm, bravamente, se revelando em nosso país. É preciso que se proclame que, embora não tenhamos tradição, estamos avançando sim, e superando grandes desafios. Naturalmente, a dimensão da música erudita, ou de concerto, requer um nível maior de sensibilidade, concentração, reflexão e contemplação, o que demanda necessariamente disciplina e tempo. Por conseguinte, a árdua missão desafiadora de projetos da magnitude Femusc, reside justamente em viabilizar essa condição num ambiente de realidade cibernética, associada a nosso modelo de sociedade líquida e imediatista.

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Felizmente Jaraguá do Sul, por já ser uma ilha de excelência de sociedade, assimilou a essência do Femusc, tendo esse, por sua vez, já assumido status de maior festival-escola de música da América Latina e um dos mais importantes do mundo. A meu ver, esse sucesso vem sendo atribuído a dois conjuntos de fatores que não poderão perder cadência: i) nossa cidade, além de ser “palco” (estrutura e logística), tem se mostrado “execução” (apoio e voluntariado) e também “plateia” (acolhimento e participação), nessa grande sinfonia com regência do genial Alex Klein, tendo como spalla uma competente equipe diretiva e colaboradora; ii) O Femusc é de todos e para todos, ou, como bem sugere seu slogan, é “do mundo todo para o mundo da música”; fundamentado, gerido e orientado sob uma perspectiva cultural, social e econômica. Portanto, é transformador, pois trabalha a educação; é amparador, pois insere-se nos espaços da saúde; é agregador, pois busca a inclusão; é acessível, pois está ao alcance de todos; é contagiante e interativo, pois exprime uma linguagem universal; é economicamente viável, pois gera divisas para a região.

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Então, como resumo da ópera, podemos dizer que a gênese do projeto é democrática e sua sustentabilidade é missão coletiva. Num momento contextual onde impera o ceticismo, obras dessa grandeza precisam e merecem ser vistas, ouvidas, sentidas, absorvidas e reconhecidas. Valorize, apoie, contribua. Pois, como bem nos proclama Nietzsche, “sem a música, a vida seria um erro”.

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Nelson Luiz Pereira