Presidente da Casa São José, Joe Gieseler é a capa da Revista Nossa de outubro

Por: Priscilla Millnitz Pereira Foto: Marcelo Luis
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Era uma quarta-feira como outra qualquer para Ana Clara. Ela lidava com os afazeres domésticos quando, no meio da tarde, recebeu uma ligação da escola do filho: o garoto havia se acidentado e o resgate estava a caminho. Sem pensar em mais nada, Ana seguiu para o local e foi ao encontro do menino. A ambulância já estava lá. Ela embarcou junto, deu entrada no hospital de referência, há cerca de 100 quilômetros da cidade da família, e só então se deu conta de que não teria onde ficar durante o período em que o filho permanecesse internado. A história de Ana Clara poderia ser a de qualquer um de nós. Um drama que se repete diariamente em hospitais de todo o país e que encontrou uma forma de ser amenizado através de um grupo de voluntários de Jaraguá do Sul. Foram eles os responsáveis por viabilizar o projeto da Casa São José, que tem como objetivo oferecer abrigo e acolhimento para familiares de pacientes internados no hospital homônimo.

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Joe Gieseler, presidente da Associação de Voluntários, conta que o trabalho começou sem a menor pretensão de construir um local como esse. Há cerca de três anos ele resolveu se juntar a outros 115 voluntários como uma forma de agradecer pela benção de ter se curado de uma leucemia. "Naquele momento decidi que me dedicaria ao hospital, que me esforçaria para encontrar tempo para isso, mas não sabia exatamente de que forma poderia contribuir", conta.

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Já naquela época cada grupo ficava responsável pela realização de uma atividade específica. Muitas pessoas já se dedicavam ao voluntariado no hospital há décadas. Não demorou muito para que Joe e seus companheiros encontrassem um caminho. Em 2016 uma equipe de Xanxerê esteve na cidade durante o "Encontro Estadual de Voluntários da Saúde" para apresentar o case de projeto semelhante ao da Casa São José que existia na cidade. "De cara nós adoramos a ideia e começamos a pensar de que maneira seria possível viabilizar isso, já que precisaríamos de um imóvel que não fosse muito longe da unidade de saúde", lembra.

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Força do empresariado teve papel fundamental

Tirar o projeto do papel parecia um sonho distante, mas graças à conhecida solidariedade jaraguaense e preocupação do empresariado local com as questões da cidade, bastaram alguns meses para o espaço começar a receber pessoas com conforto e qualidade. Joe conta que foi durante as comemorações de 80 anos do Hospital São José que Vicente Donini, então presidente do conselho hospitalar, anunciou que Pedro Donini e sua família cederiam a sua antiga residência para o projeto, uma casa bem no centro de Jaraguá, a poucos metros do hospital.

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O imóvel foi entregue totalmente reformado, mas faltavam as mobílias, utensílios domésticos, roupas de cama, mesa e banho, entre uma infinidade de outras coisas. "Nossa primeira ideia foi tentar imitar a iniciativa da apresentadora Oprah Winfrey na ocasião da passagem do furacão Katrina pelos Estados Unidos. A ideia era montar um showroom no próprio imóvel e fazer com que cada pessoa comprasse um móvel, uma louça, alguma coisa pra preencher a casa", conta. Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, foi procurado e uma lista enorme de artigos solicitada. Para a imensa surpresa e satisfação dos voluntários, todos os itens foram doados e coube comprar apenas aquelas peças que a loja não comercializava.

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Assim, no dia 10 de abril de 2017 a Casa São José abria suas portas sem cobrar absolutamente nada de quem precisa utilizá-la e sem limitar o período de estadia. Enquanto alguns passam apenas parte do dia no local, esperando enquanto algum parente realiza um exame ou fica em observação, por exemplo, outros passam diversas semanas até que o paciente receba alta. Além de não pagar nada pela estadia, as refeições também são todas de graça.

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Hoje quatro funcionários se revezam em escala para manter tudo organizado e seguro, mas são os próprios hóspedes que se organizam e cuidam do ambiente, fazendo a própria comida, lavando roupas e mantendo a limpeza sempre em dia. O resultado de lá pra cá foram mais de 350 pessoas atendidas, 4.969 refeições servidas e 3.797 quilos de alimentos doados.

Ajuda da comunidade é que mantém vivo o projeto

Se o ponta-pé inicial foi dado pela classe empresarial, a continuidade do projeto é fruto da solidariedade dos jaraguaenses. Joe Gieseler conta que de pouquinho em pouquinho é possível cobrir os gastos de manutenção da casa, que giram entre R$ 15 e R$ 20 mil por mês. "Tem uma pessoa que vem toda semana nos trazer pão. É um gesto simples, mas de uma grandiosidade enorme e que faz toda a diferença", afirma e prossegue: "com cada um colaborando um pouco somos capazes de promover verdadeiros milagres e isso nos estimula e fazer sempre um trabalho melhor".

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Além de levar a contribuição até o local, é possível se tornar um "Amigo Voluntário" no site do Hospital São José. Através do programa você escolhe o valor e a periodicidade da doação e paga com a segurança do Pag Seguro.

Fora isso, a Casa São José já participou do "Troco Solidário" em supermercados da cidade, conta com a ajuda de promoções em escolas para arrecadar dinheiro e de aniversariantes, que, ao invés de presente, pedem que os convidados contribuam com dinheiro a ser repassado para a instituição e tem ao seu lado outro grupo de voluntários do hospital: o Amoração.

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"Eles promovem eventos de arrecadação, pedágios pelas ruas da cidade e bazares. Em dezembro iremos realizar um grande bazar para ampliar nossa receita", adianta. Para isso, ele pede que as pessoas contribuam doando roupas (especialmente as masculinas) para colocar à venda na ocasião. A Casa São José também necessita constantemente de frutas, verduras e materiais de limpeza para continuar servindo a todos com qualidade.

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Hóspedes passam por triagem

Para ter direito a usufruir da estrutura da Casa São José os hóspedes passam por uma triagem no setor de assistência social do hospital. Isso garante que somente pessoas verdadeiramente carentes ocupem os 24 leitos colocados à disposição. Além dos parentes/acompanhantes, o local tem aceitando também pessoas em tratamento na cidade, aquelas que precisam pegar transporte diariamente para se submeter, por exemplo, às sessões de quimio ou radioterapia. Esses pacientes ficam durante o dia no Conforto Oncológico, espaço onde voluntárias recebem e acolhem os pacientes que estão de passagem. Como o tratamento é longo, algumas pessoas ficam na Casa São José para não fazer a viagem diariamente. Existe ainda a possibilidade do "day use", para aqueles pacientes que chegam cedo para fazer um exame e necessitam aguardar um dia inteiro até que o transporte passe novamente para levá-los até a cidade de origem.

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Cabe ressaltar que antes de a Casa São José existir essas pessoas já contavam com a solidariedade da população, mas era algo incerto demais. "Além da ajuda das prefeituras de Jaraguá ou da cidade de origem do paciente, havia convênios com hotéis e casas de família onde alugavam-se quartos, em alguns casos a prefeitura ajudava, mas a verdade é que muitas pessoas acabavam dormindo pelos bancos do hospital e hoje o atendimento é feito com muito mais humanização", salienta.

Outra preocupação de Joe está relacionada à administração do local, vinculada ao conselho administrativo do hospital. "Criamos a associação para este fim e fazemos tudo com muito profissionalismo. Acredito que seja a transparência no trato com as doações que nos tenha feito alcançar tamanha credibilidade e chegar a esses resultados. Queremos que todos tenham certeza da correção com que tratamos esse trabalho", reforça.

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