Ex-executivo da WEG, Alidor Lueders, estampa a capa de julho da Revista Nossa

Por: Priscilla Millnitz Pereira Foto: Marcelo Luis
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Resumir 39 anos de trabalho em 362 páginas parece tarefa árdua especialmente para Alidor Lueders, que, apesar do tempo dedicado a uma única empresa, nunca soube o que é rotina. No entanto, essa foi a forma que encontrou para devolver à comunidade tudo o que ela lhe proporcionou em termos de crescimento profissional e pessoal. Em "Estruturar, condição para crescer ? De Eletromotores Jaraguá a WEG S.A.", trajetória de gestor e empresa se misturam e ganham ares autobiográficos numa leitura que prende e desperta para a necessidade de agir sobre fatos e números para a tomada de decisões e manter ativo o pensamento racional para alinhar o seu negócio com o futuro.

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Falando assim parece que fazer parte da engrenagem que transformou a WEG numa gigante no setor elétrico foi fácil, mas Alidor não esconde que o caminho teve uma série de obstáculos, transformados em desafios. Natural de Pomerode, ele perdeu o pai aos seis anos de idade e aprendeu cedo duas grandes lições do empreendedorismo. "Nós tínhamos uma loja de vestuário, mas nem sequer se pensou em um plano de sucessão. Quando meu pai veio a falecer, minha mãe tentou assumir os negócios nomeando gestores, que não deram certo. A segunda lição: além de preparar alguém para substituir na gestão por qualquer que seja o motivo, é preciso ter lucro para prosperar e infelizmente não tivemos e foi preciso fechar as portas", conta.

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Os tempos eram difíceis. A família tinha ainda o irmão de Alidor, mas por ser apenas dois anos mais velho, a responsabilidade de sustentar a casa ficou nos ombros da mãe. Isso os obrigou a buscar emprego cedo e o futuro gestor começou aos 14 anos em uma tipografia. Nascido em primeiro de maio, Dia do Trabalhador, parece ter sido inspirado pela data. Quando iniciou na WEG, em 1971, com apenas 23 anos, já tinha uma boa bagagem profissional. Isso o ajudou a assumir grandes responsabilidades na ainda modesta indústria de motores, que com cerca de 400 empregados detinha uma pequena fatia de mercado na época, mas os sonhos já eram grandes e ousados, assim como os do jovem Alidor. "Antes disso eu havia trabalhado em um escritório de contabilidade durante quatro anos e passado por empresas tradicionais de Blumenau, como Comercial Vieira Bruns e Lojas Hering S.A. Foi lá também que servi ao Exército e onde cursei a faculdade de Direito", relata. O convite para trocar mais uma vez de cidade veio através do irmão. Alidor conta que na época a WEG já inovava ao oferecer cursos para a formação de níveis gerenciais. Um dos alunos era seu irmão, que soube da vaga para desenvolver o setor jurídico e de auditoria interna e indicou seu nome para Eggon João da Silva.

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"Em 1971, eu fui contratado para cuidar, além da Auditoria Interna, do Jurídico que envolvia questões societárias, tributárias, trabalhistas e de contratos sociais, mas cheguei no momento em que a empresa entrava com o processo de abertura de capital e fui escalado para estruturar esse novo setor, hoje denominado de relações com investidores/acionistas", revela. A partir disso os desafios só cresceram. Entraram em pauta questões relacionadas à administração, hoje denominadas de governança corporativa, para atender aos princípios de transparência, prestação de contas, equidade com acionistas minoritários (todos eram vistos como sócios) e responsabilidade social. Como haviam poucas exportações e importações durante os anos de 1971 e seguintes, o fechamento de câmbio, emissão e despacho aduaneiro, foram confiados a ele. Só em 1974 essas atividades passaram para um departamento de Comércio Exterior. Foi eleito como diretor em 1979, aos 31 de idade e ocupou diversos cargos executivos durante sua carreira de diretor, cargo exercido de 1979 a 2010, quando ocupava o cargo de diretor administrativo financeiro.

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Vivido tudo isso, a pequena fábrica que empregava cerca de 400 funcionários bateu a marca de 23 mil colaboradores em 2010. Hoje esse número já subiu para 30 mil e Alidor Lueders credita parte desse sucesso ao fato de os gestores investirem desde cedo em projetos de expansão, buscando financiamentos de longo prazo, como o FINEP, BRDE e BNDES. "Muitas empresas na época sustentaram seus investimentos apenas com capital próprio, sem procurar financiamentos de longo prazo, e nas crises econômicas acabaram se dando mal por falta de recursos financeiros. Vale lembrar que os recursos financeiros de longo prazo, na época subsidiados, estavam disponíveis para todas as empresas e a WEG foi ousada mais uma vez em apostar num crescimento mais rápido criando bons projetos", lembra e prossegue: "foi essa vontade da empresa de crescer e buscar desenvolvimento que fez com que eu me identificasse e permanecesse durante tanto tempo lá. Além do fato de não ter uma rotina e de aprender constantemente com problemas e questões que surgiam o tempo inteiro. Eu me sentia extremamente útil". "Quando me perguntam ? como conseguir ficar na mesma empresa por 39 anos? Respondo que a WEG a cada ano era uma nova empresa, face a rápida expansão desde motores elétricos, para geradores, transformadores, painéis, sistemas industriais, etc, o que me proporcionava desenvolvimento profissional.

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Existe vida depois da WEG? Após 39 anos, essa certamente era uma pergunta recorrente. Especialmente depois que a empresa criou uma política que colocava o limite de 60 anos de idade para os seus executivos. Alidor se segurou com força até os 62, quando passou a integrar o conselho fiscal da empresa e o Conselho Deliberativo da WEG Seguridade Social, posições que ocupa até hoje. "Depois passei à consultoria, dedicando-me especialmente a governança corporativa para empresas de controle familiar. Abri um escritório e hoje faço parte do conselho de empresas de diferentes segmentos, como alimentos, vestuário, informática, etc.. Assim como o livro, é mais uma forma de deixar um legado para a sociedade, mostrando o que pode ser aproveitado do conhecimento da WEG, em outros negócios", explica. O volume de trabalho diminuiu, a rotina ficou bem mais tranquila e hoje ele se limita a examinar atos das diretorias de cada empresa e a usar a experiência em gestão para decidir sobre assuntos atinentes ao Conselho de Administração e/ou Consultivo das empresas de que participa, sempre buscando a perenidade do negócio. Alidor também limitou o número de empresas que aconselha a oito e atualmente todas elas ficam na região para evitar dores de cabeça com horários de voo, imprevistos e incertezas nos aeroportos. Aposentaria, no entanto, é uma palavra que não entra nas rodas de conversa. Alidor afirma que não saberia o que fazer com o tempo ocioso. Aí a frase que dá título ao texto faz sentido novamente: "Felicidade é fazer o que se gosta e gostar do que se faz". O gestor garante não se cansar. Pelo contrário. Sente-se bem por encontrar no trabalho um propósito de vida. Aos 70 anos de idade ele não se cobra mais como antigamente. Não impõe prazos rígidos e afirma que continuará prestando consultoria enquanto se sentir útil para as empresas, e o seu corpo e sua mente forem capazes de contribuir e agregar valor.

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"Terceiro tempo" Isso não significa que não faça planos para quando tudo isso chegar ao fim. A escrita será um de seus refúgios. A paixão pelas letras não é de agora e ele afirma sempre ter gostado de registrar suas impressões em cadernos e arquivos digitais. Por dois anos assinou coluna no jornal O Correio do Povo ? parte desses artigos compõe a segunda parte de "Estruturar, condição para crescer ? De Eletromotores Jaraguá a WEG S.A." ? e ele afirma já ter vasto material para outros livros. "O primeiro teve oito versões e dei um prazo a mim mesmo para finalizar. Levei nove meses para escrevê-lo. Às vezes escrevia das quatro às dez horas da manhã, quando ideias surgiam na mente, e ainda ficou muito material de fora", detalha. Apesar disso, ele tem outras ideias em mente que não a continuação da primeira obra. Alidor Lueders trabalha em um livro ainda sem título definido, sobre gestão e estratégia, mas não há data de lançamento prevista.

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Finalmente, surge um assunto que pode render: "penso em morar na Europa por uns três meses no futuro. A ideia é conhecer mais sobre a minha origem e melhorar a conversação e a leitura em alemão, por esse motivo, o principal destino seria a Alemanha", sonha. Retornando ao Brasil, porque não contar um pouco mais sobre as diferentes culturas? Sempre, é claro, focando em gestão de empresas, área que domina. "Atualmente integrando o conselho criado pela Prefeitura de Jaraguá do Sul, observo a realidade da nossa cidade e sugiro melhorias sempre que aparece uma oportunidade. Ingressar na política, no entanto, não faz parte nos dos meus planos. Conquistei uma imagem séria e de honestidade ao longo dos anos e nunca sabemos como as pessoas irão explorar nossa vida pessoal em uma campanha", avalia. Alidor prefere lutar à sua maneira para deixar como grande legado um mundo melhor do que encontrou.

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